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Monday, November 17, 2014

Meu segundo.




Sempre me considerei como alguém bem racional e chegava a julgar pessoas sentimentais demais, que tomavam suas decisões em nome de sentimentos que eu não compreendia, os quais, talvez por não conhecê-los, não valorizava tanto assim. Afinal, na tua vida, deves ser o primeiro da lista e nunca, em hipótese alguma, deixar alguém emparelhar contigo nesse lugar de destaque. Hoje, entretanto, eu consigo entender. Compreender, de verdade, pessoas que se deixam como segundo plano em nome de seu/sua amado/a. Algumas escolhas que já fiz foram feitas em nome dele. A maior de todas ainda está por vir e, quando ela chegar, vai mudar minha vida completamente e em todos os sentidos. Eu estou pronta para tomá-la, porém não deixo de me sentir um tanto hipócrita. Preconceituosa até. Um dia eu julgo a pessoa que faz isso e, no outro, cá estou eu, fazendo exatamente a mesma coisa. Talvez em uma escala um pouco maior até.
O problema, leitor, que não é porque eu o amo que meu julgamento foi embaçado ou cegado. Ela só... mudou. Talvez para melhor. Antes eu não tinha noção por nunca ter-me permitido sentir algo assim e, agora que sei e sinto isso tudo, posso pensar com mais clareza, com mais certeza da minha escolha.
Não sei se me entendes, leitor, mas não é porque estou amando que virei cabeça oca. O amo. Mas eu ainda estou no primeiro lugar e ele no segundo. Meu segundo mais querido e acarinhado, mas ainda assim o segundo. 

Saturday, November 15, 2014

A página e o lápis.


Lembra que eu era uma página em branco, leitor? Esperava por um bom e afiado lápis me encontrar e escrever em mim tudo o que quisesse. Transmitir os pensamentos ou contas matemáticas apenas para que me preenchesse. Quão boba eu fui. Nunca pensei ou parei para imaginar a possibilidade de que esse sentimento de completude fosse ser tão arrasador e, ao mesmo tempo, sereno como uma brisa das cinco da tarde.
Ele chegou como um rabisco suave que está ali apenas por estar e, quando percebi, já estava todo sobre mim. Nos cantos e nas bordas. Do cabeçalho ao rodapé. Já não havia espaço para mais nada além dos seus desenhos abstratos em minha página. Desenhos, sim, pois tudo sob os olhos da paixão torna-se belo, e abstratos por ele ser esta pessoa tão diferente de mim que custou-me a entende-lo. E, mesmo hoje, não tenho tanta certeza de o ter desvendado por completo e isso, ao invés de afugentar-me, apenas me impulsiona mais para saber cada segredo e cada mania dele.
Já não sou uma página em branco, leitor. Nem ele é um lápis errante à procura de um repouso tampouco. Talvez um dia tenhamos borrachinhas e apontadorezinhos, quem sabe. 

Monday, September 29, 2014

Omissão


Pelo bem da "amizade" e um vida social saudável, muitas vezes temos de omitir ou mesmo mentir sobre nossa opinião uma vez ou outra.
Há quem diga que não se deve se intrometer na vida do outro por mais que esse outro seja muito próximo. O problema que é mais fácil falar como conselho a agir como exemplo.
Esses dois meses eu aprendi que a melhor coisa é fingir-se de desentendido. Por dentro tu estás morrendo para abrir a boca, tapear a cara da pessoa com palavras e dizer tudo que está "entalado" na garganta. Mas, de novo, pelo bem da convivência, não o fazemos.
A solução é sentar e esperar a pessoa se tocar do próprio erro e estar aqui de braços abertos para reconfortá-la. Ou não.

Thursday, August 21, 2014

Feliz e triste.

Talvez não sejas tão profundo quanto pensas que és, leitor. Tens problemas, eu tenho problemas, todos nós temos problemas. Principalmente em uma sociedade em que o direito à cidadania e a crença em um poder maior que possa reger nosso país de forma digna, honesta e justa cada vez mais rara. Estresse. Quem não é estressado nos dias de hoje, leitor? Li uma reportagem em algum lugar que inclusive animais de estimação podem ficar estressados se expostos a determinadas atividades.
O ponto é que, ao que parece, a sociedade espera que tu tenhas um péssimo dia, que não sorrias, que não brinques, que não contes piada, que não sejas feliz só por causa da montanha de problemas que enfrentas. Não concordas comigo que aos teus problemas cuida tu? Um dia terás que resolvê-los. E resolverás, pois que não se tem como fugir destas coisas e nem ao menos é digno que te faças de mal entendido quanto ao assunto.

Ao que parece, leitor, não se pode ser feliz e triste ao mesmo tempo. 


Sunday, July 06, 2014

O que é o amor? (Camões ou Romeu?)

Outro dia eu vi um vídeo onde alguém perguntava para outro alguém o que era o amor. Como esperado, alguns longos segundos de silêncio se seguiram antes da resposta ser vocalizada para a câmera. Foi uma resposta bonita de se ouvir, mas daquelas que não se internaliza o suficiente para lembrares das exatas palavras ou mesmo da mensagem que continha.
O ponto é: eu fiquei pensando sobre o assunto. O que é o amor, leitor? É o fogo que arde sem se ver, de Camões, ou a mais discreta das loucuras, de Romeu?
Em minha humilde opinião, ambas afirmações estão misturadas dentro daquele que ama o amor de paixão. É, estou falando do amor entre dois seres que seriam totalmente estranhos um para o outro caso não fosse o sentimento mútuo. Pois ele tem que ser mútuo para ser concreto, ou estaríamos falando do amor de Platão.
Voltemos à mistura. Quando se ama alguém, por mais puro que o sentimento seja e por mais inocente que os envolvidos sejam, há o fogo. Aquele fogo carnal que é natural, é instinto, e besta é aquele que nega sua existência ou condena sua prática. Oh, há também aquele fogo excitado, aquele que quer estar junto com seu ateador a todo momento, aquela necessidade de toque, mesmo que seja apenas para retirar uma mexa de cabelo da frente daqueles lindos olhos. Ah, que olhos. Também há um fogaréu neles. Calado, silencioso, cauteloso... Mudo. E por si só perigoso.
E quanto à loucura? Para ser sincero, leitor, vim escrever tal postagem apenas para falar sobre a loucura, mas qual não é o assunto tão complexo e extenso por essência. A loucura, pois então, é justamente essa. É não saber o que se gosta mais sobre a outra pessoa e pensar, por meros momentos, que não há eleito predileto quando, quão irônico, o predileto é justamente aquele que possui todas as coisas. A pessoa amada, leitor. A que lhe deixa sem foco de atenção e, ao mesmo tempo, com apenas uma direção para se olhar.
O princípio da loucura, leitor, acontece quando se sabe todas as qualidades da outra pessoa e as adora. É por elas que se atrai e o coração decide enganchar-se. O estágio intermediário é quando os defeitos da outra pessoa são conhecidos e, inclusive, sabe-se o que fazer para evita-los e/ou atiça-los. É esse o ponto que se decide. Tanto, que é provavelmente o período de término da maioria das relações amorosas mundo afora. É amor quando a pessoa decide dar o próximo passo e declarar-se louca e mais nada. É quando sabe os defeitos e qualidades e o conceito sobre a pessoa não muda, não decai. Isso é amor.


Sunday, March 30, 2014

Passado o primeiro passo



   Sair do primeiro emprego talvez seja a decisão mais difícil em uma vida profissional. Afinal, foi aquela pessoa que lhe deu a primeira oportunidade. Eras uma página em branco esperando para ser escrita, de acordo com tua visão. Eras um inexperiente esperando para mostrar sua incompetência, para o empregador.
   Então, veio-lhe a oportunidade. Talvez estivesses ali apenas para cobrir um buraco na staff da empresa ou, e neste caso teu pedido de demissão foi mais sofrível de sair de tua própria boca, teu chefe acreditara no teu potencial. Vira a tua capacidade.
   No meu caso leitor, fora a segunda. Apesar de, muitas vezes, acreditar que acontecera a primeira. Mas, conforme os dias passam, ficas mais maduro e mais responsável por teu caminho. Chega o dia em que tens de decidir ou ficas por gratidão ou vais procurar novos caminhos para sere trilhados.
   Por um lado, minha consciência está tranquila. Por outro, despedaçada. 
  Por orgulho, não olharei para trás. Continuarei com os ensinamentos que posso aproveitar em outras empresas e continuarei a trilhar minha carreira profissional em outros ares. Hei de conseguir uma vaga onde preencha por credibilidade própria e não por sorte, pela pessoa encarregada querer apostar em mim às cegas. 
   Há de chegar o dia em que escolherei a vaga que mais me apetece.


Wednesday, January 29, 2014

Sintomas de ansiedade



É sempre assim.
Primeiro o sorriso estampado no rosto em momentos solitários quando a lembrança do que está por vir vem à superfície da mente. O segundo sintoma é o suspiro solto por dentre os lábios ao constatar que ainda falta tempo para aquilo acontecer - não importando se for anos ou apenas mais alguns minutos. Logo, a mordiscada nervosa no lábio inferior em uma tentativa de não retornar ao primeiro sintoma já listado. Dependendo da conduta, realística ou sentimental, da pessoa, o próximo varia entre uma repetição dos sintomas ou uma reprimenda interna por ser tão boba. 
Finalmente, leitor, fecha os olhos e escuta o batimento errático do nosso bom e velho coração. Conforme aquele som enche os ouvidos e toma conta de todos os pensamentos, você consegue se acalmar e percebe a ritmicidade voltar ao normal. E você dorme. E sonha. Sonha que aquilo que tanto deseja finalmente, finalmente, leitor, chegou o momento de acontecer e, enquanto repousa inofensivamente, sorri por pura felicidade.
Isso é ansiedade, leitor. E o único remédio conhecido, natural, é claro, é alcançar o objeto de seu desejo.
Ou o alguém.

Thursday, January 02, 2014

Meu foco mudou de musa, leitor.

Abro o caderno, a página está em branco e cheia de possibilidades. Vários assuntos pipocam em minha cabeça. Alguns sendo polêmicos e o restante nem tanto. Opiniões divergentes mesmo sendo todas minhas. Poucas conclusões, mas nenhuma palavra escrita. Só a sensação de segurar o lápis, posicionar a borracha em algum lugar próximo e apoiar o caderno no ângulo correto já traz certa satisfação. Há quanto tempo não produzo algo próprio com minhas palavras? Oh, faz tempo. Tanto já aconteceu. Tanto já senti. E em menos de um ano.
A bem da verdade, eu, de certa forma, mudei. Releio meus parágrafos que um dia escrevi e vejo o quão racional eu era. Enxergava o mundo de forma simples e direta. Não havia nada por debaixo dos panos. Hoje, eu sinto como se possuísse um segredo só meu. Não só meu, eu o divido com uma pessoa e uma pessoa apenas.
Quanto ao papel em branco, vejo ele se encher de devaneios sem ligações entre si. Eu só sinto vontade de escrever sobre sentimentos. Oh, leitor, eu estou enfrentando uma crise de identidade interna, um furacão que apenas eu consigo ver. Meu foco trocou de musa, leitor. E não me sinto culpada por isso. Nem um pouco. 



Wednesday, December 18, 2013

You can be the prince and I can be a princess

Don't know if I could ever be
Without you 'cause, boy, you complete me
And in time I know that we'll both see
That we're all we need

'Cause you're the apple to my pie
You're the straw to my berry
You're the smoke to my high
And you're the one I wanna marry

'Cause you're the one for me for me
And I'm the one for you for you
You take the both of us of us
And we're the perfect two

We're the perfect two
We're the perfect two
Baby me and you
We're the perfect two



Perfect Two by Auburn.


Monday, November 11, 2013

Tempo, tempo, tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...*


Temos esta impressão incrustada em nossa mente que teremos tempo para fazer tudo que quisermos e planejarmos ao longo de nossas vidas. Será isto verdade? Quantas vezes já não escutei, vindo de pessoas mais velhas e velhas também, que não fizeram nada do que queriam? Que não tiveram tempo de fazer tudo que sonharam em suas juventudes? Quantas vezes nós, os mais jovens, não deixamos escapar pelos nossos lábio que o tempo está passando rápido? Este ano mesmo, já acabou praticamente. Estamos em novembro de 2013.
O que fizeste de proveitoso este ano? O que terá uma consequência a longo prazo?
A sensação que tenho é que o tempo passa invisível por entre meus dedos. Sou jovem, concordo, mas isso não significa que eu sou incapaz de perceber esta passagem impalpável diante meus olhos. Lembro que eu ansiava alcançar os 15 anos de idade. Neste momento, não consigo recordar claramente os anos que se passaram desde então. Só posso imaginar que este “branco” na memória apenas aumenta com o acumular de rugas.
Creio que tenhamos a maioria da percentagem de culpa por isto acontecer com todos e com frequência cada vez maior. Planejamos demais, esperamos demais, olhamos para o futuro ao invés de aproveitar o presente – por mais cliché e desgastado que isso soe, não deixa de ser verdade.
Talvez eu faça uma promessa de ano novo quanto a isso. Viver mais o presente e deixar de planejar tanto assim o futuro. Aproveitar o agora, o tempo presente que está aqui nesse instante. Fazer o que quero fazer hoje e não amanhã. Talvez dessa vez eu cumpra minha promessa de ano novo. Talvez.

*Oração ao Tempo de Caetano Veloso.


Monday, October 28, 2013

Viver

Acordar
Lavar
Enxugar
Pentear
Prender
Vestir
Calçar
Colocar
Maquiar
Sorrir
Tomar
Comer
Limpar
Guardar
Pegar
Abrir
Sair
Fechar
Trancar
Guardar
Andar
Pegar
Entrar
Pagar
Sentar
Esperar
Ouvir
Cochilar
Descer
Entrar
Sorrir
Cumprimentar
Falar
Conversar
Dizer
Rir
Estranhar
Ensinar
Assinar
Despedir
Sair
Andar
Suspirar
Suar
Pegar
Entrar
Pagar
Sentar
Esperar
Ouvir
Cochilar
Descer
Andar
Suar
Cansar
Suspirar
Estalar
Coçar
Arrumar
Andar
Chegar
Destrancar
Entrar
Fechar
Trancar
Guardar
Soltar
Jogar
Tirar
Tomar
Lavar
Enxugar
Vestir
Comer
Assistir
Rir
Chorar
Bocejar
Ir
Dormir
Sonhar.

Saturday, October 12, 2013

Não confunda.

Não confunda eu aceitar as ações das pessoas com conformismo. Não confunda evitar confrontos desnecessários com covardia. Não confunda pacificidade com falta de personalidade. Não confunda ter personalidade com falta de educação. Não confunda idade com maturidade. Não confunda liberdade com falta de regras. Não confunda espera com falta de vontade. Não confunda amor com eternidade. Não confunda silêncio com falta de sentimentos. Não confunda abstenção com falta de desejos, com falta de sonhos. Não me compare com outra. Não me confunda com outra. Só não confunda.



Thursday, September 05, 2013

Algum dia desses...

Um dia, ela vai segurar a mão dele e, juntos, vão andar ao redor da praça arborizada. Um dia, ela vai se colocar na ponta dos pés para alcançar a boca dele. Um dia, ele vai chegar, silenciosamente, e a abraçará de surpresa. Um dia, ele vai segurar a porta para ela e acompanhá-la um passo atrás através do recinto. Um dia, ela vai colocar um roupa mais arrumada só porque sairá com ele. Um dia, ele vai achá-la linda porque saberá que ela se arrumou para ele. Um dia, ela vai escutar uma música que fala sobre amor e a primeira coisa que pensará é nele. Um dia, ele vai acabar gostando de todas as coisas melosas que uma mulher apaixonada pode fazer. Um dia, ela vai dizer que gosta dele e ele dirá que já sabia. Um dia, ele vai adorar quando ela se declarar para ele. Um dia, ele vai decidir que não tem problema dizer seus sentimentos para ela. Um dia, ele vai querer conhecer a família dela, especialmente a mãe. Um dia, ela vai rir do receio dele quanto à visita. Um dia, ela vai pedir para ele dançar com ela e, mesmo não sabendo e nem gostando, ele dançará porque é ela quem está pedindo. Um dia, ela vai desistir de tentar fazê-lo dançar. Um dia, ele vai surpreender ao mostrar que aprendeu alguns passos daquela música que ela adora. Um dia, eles vão estar por demais apaixonados e terão decisões a tomar. Um dia, ela vai casar com ele. Um dia, ele vai ser o homem mais feliz da Terra. Um dia, ela vai conhecer ele.
Algum dia desses...


Monday, August 05, 2013

wisher

I was bored on my last vacation day. Nothing to do unless to stare the violet walls of my room. A crazy feeling suddenly came to me: a wish to write.
Okay, I thought, let's write then! Therefore I took a piece of paper and looked for a pencil among my messed stuffs. I was ready to write when the empty thoughts started to bother me. Write what? Mainly, write to which purpose? Why? What finality? In English or in Portuguese? Have I readers at least? I do not have these answers.
It is, indeed, just a weird wish. A writer wish? If I were one! No, no. I am not a writer... I am just a wisher.


Friday, May 03, 2013

O que é poesia?...

Poesia é o sentimento.
Poesia é a declaração de amor sussurrada ao pé do ouvido do amante; é o pedido de casamento que toda a vizinhança presencia; é o início de namoro feito por um beijo roubado na fila da cantina do colégio; é o abraço do amigo.
Poesia é a raiva crescente pela injustiça sofrida; é o ódio acumulado durante anos; é a irritação momentânea quanto ao sinal da internet; é a impaciência na espera infinita de uma fila interminável.
Poesia é pisar na possa de água; é ser ultrapassado por uma borboleta; é sentir o cheiro da chuva; é se deparar com uma flor completamente aberta; é observar o azul do céu; é ouvir música enquanto espera o ônibus.
Poesia é o sorriso; é a lágrima; é a timidez; é a paixão; é o ódio; é o prazer; é o sofrimento; é a tristeza; é a alegria; é a gargalhada; é a seriedade; 
Poesia está em todos os lugares, leitor.


Wednesday, April 24, 2013

Crescer.



Ela subitamente hesitou em seus passos. Encarou o caminho à sua frente, reto, liso, claro e natural. À sua esquerda havia outro, porém. Este era cheio de ondulações, curvas e mais longo. Olhando atentamente, nossa personagem notava que ambos desembocavam no mesmo destino.
Qual a diferença, então?
Espiou por sobre o ombro para ter certeza de que a urgência que sentia em ter de escolher um dos dois caminhos não era feita pela pressão de um muro de concreto às suas costas. Não era. Ela sabia que não era. Essa sensação claustrofóbica era produzida pelo tempo. Pela passagem do tempo, melhor dizendo.
Nossa amiga, leitor, não sabia quando aquilo começara. Talvez quando ingressara na universidade. Ou quando completou 18 anos. Não. Começou, realmente, quando se inscrevera para o vestibular. A responsabilidade de escolher um curso que se tornaria a profissão para, como dizem, o resto da vida.
Respirando fundo, deu um passo incerto. Ganhou mais confiança, ergueu o queixo e reiniciou sua solitária caminhada... No fundo, ela sabe que escutará "nãos", portas se fecharão, oportunidades novas virão e chances serão dadas, mas é o curso natural das coisas. A chave para ser bem sucedida é não ficar com medo e escolher o outro caminho. 
Crescer, todos crescem. A diferença é de como tal passagem é feita.

Saturday, April 13, 2013

"E que Deus lhe de em dobro" ??


Ontem, indo para a universidade, subi em um ônibus relativamente cheio. Consegui sentar em uma cadeira vaga, até. Algumas paradas depois, subiu um desses pedintes nosso de cada ônibus. Até aí tudo bem, ele me deu um pedaço de papel com algumas coisas escritas. De início, eu não leria. Mas alguma coisa me fez lê-lo. 
Não é a primeira vez que escuto/leio algo do gênero: "E quem não poder (ajudar) obrigado pela atenção e que Deus abençoe e lhe de em dobro". É o que vem escrito no papel que fiz questão de tirar foto.
Não sei se entendi bem, mas por acaso isso foi uma tentativa de chantagem emocional? Quer dizer, eu tenho que ajudar aquela pessoa porque ela diz que Deus me dará em dobro o que eu der a ela? Como funciona isso? Eu dou vinte centavos e recebo quarenta? 
Na verdade, o pior nem é isso. O pior é o sentimento que aquilo carrega. A pessoa não está desejando que sejas abençoado coisa nenhuma, sejamos sinceros. Pelo contrário, na verdade. Usa a crença das pessoas de uma forma totalmente negativa. 

Depressivo é saber que há pessoas que dão dinheiro para pedintes como este quando leem isso. É uma sensação de estar de volta à Idade Média, onde Deus era usado para regular o comportamento das pessoas. E Ele era usado exatamente do mesmo modo: Através do medo de uma punição divina, o fiel fazia como lhe era dito.

Acaso não é isso que este cidadão estava fazendo? Melindrando os passageiros daquele ônibus?
Eu até poderia dar umas moedas para o homem, mas quando cheguei nas últimas linhas do papel, tive certeza que só devolveria aquela mensagem sem dinheiro algum.

E, na verdade, eu poderia escrever muito mais coisas, mas a indignação é tão grande, o sentimento de que aquilo é errado é tão concreto dentro de mim que nem argumentos formulados possuo. Sendo assim, termino sem conclusão.
Ou não.


Thursday, March 28, 2013

Eu.

Quem sou eu?
Não é a primeira vez que me pergunto sobre esta questão. 
Acaso sou aquela menina tímida, que fica no seu canto, assistindo os outros interagirem abertamente uns com os outros? Aquela que se envergonha com qualquer comentário feito por qualquer pessoa quanto a ela própria? Aquela que não gosta de chamar atenção para si e muda o foco da conversa assim que vira tema da roda?
Acaso sou aquela garota que ri alto e faz comentários engraçados a cada oportunidade, provocando gargalhadas em conhecidos e estranhos? Aquela que é altamente confiante quando o assunto é ela mesma? Aquela que não se importa se estiver sendo o assunto do momento, mas que não perde a oportunidade de produzir uma piada quanto a isso?
Acaso sou aquela mulher que é relativamente madura e que passa uma imagem séria para as pessoas ao seu redor? Aquela que, quando conhecida por alguém, provoca o pensamento: "Não, aquela não é para se brincar."? Aquela que encara os problemas com uma armadura no peito - para não atingir o coração - e um lenço nos olhos - para não escorrer uma gota de lágrima?
Quem sou eu?
Uma pessoa confusa, complexa, sensível - mais racional do que sensível, decidida, simples?
"Quem sou eu?", volto a me perguntar.
Eu?
Eu sou eu.

Saturday, March 09, 2013

Papel em branco.

Há uma satisfação incrível e totalmente solitária em ter um papel pautado em branco e novo em mãos. As possibilidades que ele carrega são infinitas; Os caminhos que podes tomar para preenchê-lo são infinitos; Os modos que podes usá-lo são infinitos; As ideias que surgem em tua cabeça são infinitas.
Montas personagens, histórias, cenários e situações diversas. Inícios, meios e fins rodeados de significados que vêm à tona de acordo com seu leitor. Imaginas tragédias, romances, comédias, poemas, prosas, dramas, peças... A vontade aflora dentro de ti e acabas por sorrir para a folha de papel.
Pegas, então, teu lápis. – Pois que uso lápis e não lapiseira por uma simples questão de gosto. Penso que o lápis combina mais com a sensação de transformar palavras em uma história. Com licença.
Bem, de lápis na mão, papel posicionado no ângulo correto e empolgação espalhada por todo o corpo, te preparas para começar a escrever.
Paras, então, por um instante. Percebes que já deste um fim para aquela história. Como podes escrever, agora, se já sabes como termina? Perdeste aquele sentimento impagável de novidade. Se escreveres agora, não vais mais conseguir passar a mesma emoção que querias.
Suspiras.
Sorris.
Toda a mensagem que querias passar já viveu seu momento de glória dentro de ti. É o suficiente.

Balanças a cabeça e abandonas teu papel. Ainda em branco.


Sunday, March 03, 2013

Mundo da lua.


A ré fora acusada de viver com a cabeça no mundo da lua por duas vezes em menos de uma quinzena.  Seu caso foi aberto ao juri popular. Escutou-se os relatos de testemunhas. A acusada, agora, detinha a palavra.
"Eu tenho, primeiramente, uma pergunta a fazer aos jurados, Excelência. O que é viver no mundo da lua? É não se estressar? É não ter pressa? É não se importar muito com a opinião alheia? É não encarar os meus problemas como os mais graves? É não reclamar? É não deixar de sorrir? É não parar de brincar? É valorizar mais os pontos positivos do dia aos negativos? É ser positiva? É se recusar a se deprimir? É se recusar a chorar todos os minutos do dia? É agradecer pela vida não ser pior? Porque ela pode ser, senhores. Sempre pode ser pior. Sempre. É procurar não escolher um lado em uma briga? É procurar se r imparcial? É sempre tentar não se entristecer? Mesmo que tenha inúmeros motivos desconhecidos pelo olhar externo? É se arrepender de não sorrir mais? É achar que o teu problema é teu e não meu? É se magoar e não dizer? É evitar uma discussão ao máximo? É não gostar de gritos? É não gostar de brigar? É preferir ficar quieta? É gostar de ficar quieta?
Pois então, caros jurados, é com muito prazer que vos digo que sim, eu vivo no mundo da lua."
Sendo assim, a ré confessa o crime e é condenada.