Friday, August 22, 2014

Viver por dois segundos de céu.

Aquela sensação poderosa que te envolve por inteiro que, por uma vez em muito muito tempo, as coisas parecem caminhar de forma harmoniosa. Tens a sensação maravilhosa de que tudo está e vai continuar dando certo. Porque parece que o sol sorriu para ti e um caminho longo e claro está se desenrolando na tua frente. Tomas teu café com pão como se fosse o café da manhã de um rei/rainha. Pois que é assim que te sentes. Impávido. Pronto para o dia perfeito que tua mente te projeta à tua frente. Crês que podes, inclusive, encontrar um cheque de 50 mil reais, mas como estás tendo um ótimo dia, vais retribuir sendo honesto e devolverás o cheque ao dono do bolso de que viu cair.
Então, leitor, por pura chacota e diversão, o destino lhe dá um leve tabefe na face de modo que acordes de teu estupor momentâneo. É quando tua fé na vida é abalada novamente. Nada parece dar certo. Não, não é que pareça. Nada dá certo. Ponto. A sensação anterior é como os dois segundos em que notas a magnitude da paisagem antes de te dares conta que estás caindo em um abismo. São os dois segundos que apenas fazem te aumentar a agonia durante a queda, pois queres aqueles preciosos segundos novamente. Vives por eles!


Dizem que o que é difícil é o que vale a pena na vida. Mentira. É difícil porque alguém ou algo te atrapalhou no meio do caminho. Simples assim.

Thursday, August 21, 2014

Feliz e triste.

Talvez não sejas tão profundo quanto pensas que és, leitor. Tens problemas, eu tenho problemas, todos nós temos problemas. Principalmente em uma sociedade em que o direito à cidadania e a crença em um poder maior que possa reger nosso país de forma digna, honesta e justa cada vez mais rara. Estresse. Quem não é estressado nos dias de hoje, leitor? Li uma reportagem em algum lugar que inclusive animais de estimação podem ficar estressados se expostos a determinadas atividades.
O ponto é que, ao que parece, a sociedade espera que tu tenhas um péssimo dia, que não sorrias, que não brinques, que não contes piada, que não sejas feliz só por causa da montanha de problemas que enfrentas. Não concordas comigo que aos teus problemas cuida tu? Um dia terás que resolvê-los. E resolverás, pois que não se tem como fugir destas coisas e nem ao menos é digno que te faças de mal entendido quanto ao assunto.

Ao que parece, leitor, não se pode ser feliz e triste ao mesmo tempo. 


Monday, July 14, 2014

Sou a página em branco, leitor.

Dessa vez, leitor, não quero lápis nem papel. Abro o Word e encaro a página em branco que se projeta a minha frente. Estou triste, leitor. Não, minto, sou triste, leitor. Tristeza tamanha que chego a me identificar com a página em branco. Afinal, o que eu sou? Nada. Sou uma atriz, é isso que sou. Sou extrema e completamente triste por dentro a ponto de sentir meu peito pesar e ansiar por lágrimas que não podem cair na frente de outrem. Não, não posso chorar na frente de ninguém, pois então este saberá quem sou. Não. Sorrio, brinco, gracejo, formo uma personalidade que por vezes chego a acreditar que é a minha. Então eu apago a luz do meu quarto no momento que escolho para dormir e eu sinto quem sou eu.
Eu sou só.
Voltando à página em branco, leitor, começo a formata-la e, mais uma vez, me sinto uma página em branco sendo moldada pelo que a sociedade espera de mim. Boa parte desta formatação é culpa minha e eu sei. Sou orgulhosa o suficiente para não querer que ninguém saiba como sou, como me sinto. Minhas fraquezas são minhas e de mais ninguém.

E por causa disso tudo e mais outras coisas, leitor, sou extremamente só.



Sunday, July 06, 2014

O que é o amor? (Camões ou Romeu?)

Outro dia eu vi um vídeo onde alguém perguntava para outro alguém o que era o amor. Como esperado, alguns longos segundos de silêncio se seguiram antes da resposta ser vocalizada para a câmera. Foi uma resposta bonita de se ouvir, mas daquelas que não se internaliza o suficiente para lembrares das exatas palavras ou mesmo da mensagem que continha.
O ponto é: eu fiquei pensando sobre o assunto. O que é o amor, leitor? É o fogo que arde sem se ver, de Camões, ou a mais discreta das loucuras, de Romeu?
Em minha humilde opinião, ambas afirmações estão misturadas dentro daquele que ama o amor de paixão. É, estou falando do amor entre dois seres que seriam totalmente estranhos um para o outro caso não fosse o sentimento mútuo. Pois ele tem que ser mútuo para ser concreto, ou estaríamos falando do amor de Platão.
Voltemos à mistura. Quando se ama alguém, por mais puro que o sentimento seja e por mais inocente que os envolvidos sejam, há o fogo. Aquele fogo carnal que é natural, é instinto, e besta é aquele que nega sua existência ou condena sua prática. Oh, há também aquele fogo excitado, aquele que quer estar junto com seu ateador a todo momento, aquela necessidade de toque, mesmo que seja apenas para retirar uma mexa de cabelo da frente daqueles lindos olhos. Ah, que olhos. Também há um fogaréu neles. Calado, silencioso, cauteloso... Mudo. E por si só perigoso.
E quanto à loucura? Para ser sincero, leitor, vim escrever tal postagem apenas para falar sobre a loucura, mas qual não é o assunto tão complexo e extenso por essência. A loucura, pois então, é justamente essa. É não saber o que se gosta mais sobre a outra pessoa e pensar, por meros momentos, que não há eleito predileto quando, quão irônico, o predileto é justamente aquele que possui todas as coisas. A pessoa amada, leitor. A que lhe deixa sem foco de atenção e, ao mesmo tempo, com apenas uma direção para se olhar.
O princípio da loucura, leitor, acontece quando se sabe todas as qualidades da outra pessoa e as adora. É por elas que se atrai e o coração decide enganchar-se. O estágio intermediário é quando os defeitos da outra pessoa são conhecidos e, inclusive, sabe-se o que fazer para evita-los e/ou atiça-los. É esse o ponto que se decide. Tanto, que é provavelmente o período de término da maioria das relações amorosas mundo afora. É amor quando a pessoa decide dar o próximo passo e declarar-se louca e mais nada. É quando sabe os defeitos e qualidades e o conceito sobre a pessoa não muda, não decai. Isso é amor.